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riscos_e_rabiscos

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Local (dia 3)

O alentejo faz-me lembrar as férias de verão da minha infância. As brincadeiras com as miúdas da minha idade, as festas da terra, os vestidos novos, as tranças no cabelo, o bolo de leite da tia torradinha, as conversas à chaminé, a venda da tia Ganhão e os gelados que ela me dava, as caixinhas de madeira que tinham o feijão, o grão...
Depois veio a adolescência e com ela a S. e os primos emprestados.
E na idade adulta esta terra de sol deu-me o dono do meu coração.

Outra Vez?!

 

Desconfio que existem pessoas cujo backside deve ter cola. Tipo super cola. Conheço um par de jarras que deve pertencer a essa espécie humana.

 

A desocupação, as desculpas para não se fazer nada e viver à custa do estado proliferam em Portugal, como é sobejamente conhecido. Uns porque não “gostam” de trabalhar, outros porque trabalhar faz calos e outros, ainda, porque querem empregos e não trabalho.

 

Assim sendo, passam os dias a vaguear: de casa para o café, do café para casa; de casa para o café, do café para casa. A sua vidinha resume-se a uma estadia no café de manhã, outra à tarde e, provavelmente, outra à noite (até o café fechar)! Oh vida boa!

 

Depois ainda há aqueles que vão beber café, buscar tabaco e jornais… fiado! Só pagam no fim do mês – talvez -, quando receberem os subsídios que nós pagamos com os nossos descontos.

 

Estas duas alminhas – o par de jarras, que são mãe e filho – passam todo o dia no café. A ocupar espaço pois o consumo resume-se a uma bica à vez, que é para economizar. O filho bebe de manhã e ficam os dois a ler o jornal até à hora de almoço. À tarde bebe a mãe e depois ficam a apanhar sol na moleirinha.

 

Esta situação não agrada minimamente aos donos do café. Para além de ocuparem mesas um dia inteiro e, às vezes, quem faz grandes consumos não tem sítio para se sentar, o consumo dos ditos não justifica.

Seja a que hora for que eu passe pelo café, lá estão eles sentados! Já era tempo de mudar-se a paisagem ao café, não?!